terça-feira, 21 de novembro de 2017

O que visitar em Córdoba


O centro histórico de Córdoba foi declarado, em 1994, Património da Humanidade pela Unesco e depois de se percorrer a cidade compreende-se porquê. Ficam as imagens e algumas estórias dos locais mais emblemáticos de Córdoba.

Puente Viejo ou Puente Romano 
Mandada construir pelo Imperador romano Augusto fazia parte da Via Augusta (uma estrada romana, com cerca de 1500Km de comprimento que atravessava a Hispânia até Cádiz, seguindo o contorno da costa mediterrânica). Uma construção imponente com 331 metros e 16 arcos, dos quais, apenas dois são originais. Os seguidores da série “A Guerra dos Tronos” (5ª temporada), reconhecerão esta ponte nas cenas passadas na “Ponte de Volantis”.




A ponte une a Torre de Calahorra, um baluarte defensivo construído durante o domínio mulçumano e a Puerta del Puente, também conhecida, por Arco do Triunfo, embora na realidade, nunca tenha sido um Arco mas sim uma porta. Era uma das três portas de entrada da cidade e a única sobre o rio Guadalquivir e onde chegou a funcionar a alfândega.


À entrada da ponte, no centro do largo, um monumento em estilo barroco em honra do arcanjo São Rafael porque, diz a lenda, o arcanjo terá aparecido em sonhos aos habitantes de Córdoba a dizer que iria salvar a cidade da peste. Aliás São Rafael está presente em toda a cidade, no nome de ruas, restaurantes, lojas… por isso durante as festas em honra deste santo, 24 de outubro, os que se chamam “Rafael” têm de pagar o Perol, uma espécie de paella servida em estilo “bodo” no Parque de los Villares. 






Templo Romano

Córdoba foi uma importante cidade durante a ocupação romana preservando, ainda, inúmeros vestígios dessa época. As ruínas deste templo foram descobertas em 1950. Os achados arqueológicos permitiram aos historiadores classificar este templo como um dos mais importantes da época fazendo, possivelmente parte do conjunto de monumentos dedicado ao culto imperial. Os arqueológos descobriram que na construção deste tempo foram utilizadas as primeiras técnicas anti-sismos conhecidas, as quais, passavam por encher as fundações com areia.








Alcázar de los Reys Cristianos

Uma fortaleza de aspeto sóbrio, pesado, tão austero quanto belos e esplêndidos são os seus jardins. Foi um palácio mourisco, residência do um governador romano e fortaleza militar.




No século XV, os Reis Católicos Isabel de Castela e Fernando II de Aragão escolheram o Alcázar para viver e, durante mais de 8 anos a fortaleza foi um palácio real.




Os Reis eram conhecidos pela sua ambição, determinação e uma fervorosa religiosidade que enriquecida pelos rígidos impostos cobrados ao povo conquistou o apoio incondicional da igreja. Um poder absoluto assente em conquistas, guerras e perseguições que impôs, pela força, num reinado onde coexistiam vários credos a religião cristã. Granada, o último reino árabe na península, foi conquistada e os muçulmanos foram expulsos de Espanha. Com o objetivo de conquistar mais riquezas a Oriente e aproveitando os cofres cheios do reino, Isabel e Fernando decidiram financiar a aventura de Cristóvão Colombo pelas Índias que, afinal, acabou por ser pelas Américas. O encontro dos monarcas com o navegador encontra-se representado nos jardins do palácio.


Entretanto, nascia no Alcázar a Infanta D.Maria que viria a ser Rainha de Portugal (2ª mulher do Rei D. Manuel I, 1501-1517). Passada que era a ameaça muçulmana as atenções viraram-se para a comunidade judaica e o Alcázar passou de palácio real para sede Tribunal do Santo Oficio e residência oficial do Inquisidor-Mor, homem astuto e muito perigoso. Conta-se que, na época o inquisidor-mor saia disfarçado de homem comum e andava pelas ruas e pelos mercados à caça de judeus e muçulmanos (literalmente) levando-as a falar, a denunciar os outros e promovendo atitudes que seriam contrárias à sua fé, como comer carne de porco, ou quebrar o jejum no Ramadão, entre outras.


Com a abolição da inquisição o Alcázar passou a ser uma prisão e mais tarde um forte militar.


A antiga horta do Alcázar foi transformada nos séculos XVII e XVIII em belíssimos jardins.




As alamedas floridas e os recantos protegidos por árvores frondosas são refúgio para quem foge do calor abrasador e a água dos lagos refresca o ar. Será que os padres inquisidores deram aqui uns mergulhitos?




Não podemos deixar de pensar como é que tamanha beleza possa ter coexistido com o horror que se vivia dentro de portas.




Mas é altura de sair para o calor da cidade e continuar a nossa visita. Para não ficar um artigo tão extenso e para irmos com calma, porque vale a pena o tempo vamos ver uma coisa de cada vez. Continuemos com a,

Catedral-Mesquita de Córdoba

Pátios Floridos de Córdoba

Ver mais de Córdoba







2 comentários:

  1. Com as narrativas dos passeios que fazes, fico sempre com vontade visitar esses lugares. Entretanto vou deambulando por esses lugares através do teu blogue!

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    1. Obrigada Teresa. Também se viaja sem sair de casa, por um livro, um filme, um texto. O que interessa é a partilha.... e ainda bem que há por aí imensa gente a partilhar as suas viagens, as suas experiências, assim todos nós podemos viajar um pouco, nem que seja aqui pelo nosso burgo :-)

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