quinta-feira, 13 de julho de 2017

Islândia a Terra de Fogo e de Gelo (III)

A partir de fevereiro a Islãndia começa a receber milhares de turistas, expetantes e curiosos, que de carro, autocarro, mota, ou de autocaravana percorrem as estreitas estradas nacionais e os locais assinalados como imperdíveis. Nos meses de verão (islândes), entre maio e junho, considerados época alta, o movimento tem aumentado de tal forma que o governo da Islândia pondera aumentar as taxas turísticas e limitar o número de visitantes em determinados sítios. Por termos ido em março, o tempo incerto não era propício a viagens de barco para fotografar as baleias e os Puffins, os pequenos papagaios do mar mas, em contrapartida, assistimos a um dos mais fantásticos espetáculos que a natureza nos pode oferecer, a aurora boreal, o que já não seria possível se fossemos no verão



E, foi tudo a ganhar pois, apesar de haver já muitos turistas, havia sempre tempo e espaço para usufruir do que a Islândia tem para nos oferecer. Ahh... e ainda consegui uma foto de um Puffin, embora não propriamente no seu habitat natural.


O nosso fantástico guia, Vitor Costa, (desta vez optámos por ir num pequeno grupo numa expedição fotográfica) experiente nestas andanças, organizou a viagem de forma a andarmos em sentido contrário ao das enchentes. E assim, lá íamos conseguindo tirar as nossas fotos com mais calma e sem muita gente... (às vezes)! E estes foram os momentos!

O imenso lago gelado de Pingvallavatn, no Parque Nacional de Pingvellir.

Parque Nacional de Pingvellir, lê-se Tingvellir, desde 2004 proclamado Património da Humanidade pela UNESCO. Um local de marcada importância histórica onde, em 930, foi fundado o mais antigo parlamento do mundo – o Alpingi. Neste mesmo lugar, a 17 de junho de 1944, a Islândia foi declarada independente. Atualmente este antigo parlamento é a residência de verão do primeiro-ministro. 



Aqui se proclamavam as leis, se julgavam os criminosos e afogavam-se as mulheres condenadas no rio, num local conhecido pela “piscina dos afogamentos”. 


Geologicamente este é um dos locais mais impressionantes da Islândia e para os geólogos é um campo de estudo único. É visível à superfície o grande Rift (divisão) formado pelo afastamento das placas tectónicas americana e euro asiática. Esta falha geológica aumenta cerca de 2 cm por ano. Quem se quiser aventurar pode mergulhar na Silfra, uma das fissuras do Rift e ter a experiência de nadar entre duas placas continentais. https://www.dive.is/dive-sites/silfra/


Avançando para o interior, a leste da capital o geiser mais famoso do país, o Strokkur, que significa “fazer espuma” em islandês, dá espetáculo de 5 em cinco minutos ,aproximadamente. O vapor de água libertado pelas erupções pode chegar aos 50 metros de altura. Como curiosidade a palavra em português Geiser deriva de Geysir, ou seja, “jorrar” em islandês.


Juntam-se um clima polar oceânico, chuva e neve com abundância e glaciares quanto baste para alimentar os caudais dos rios e o resultado é um sem fim de cascatas, cataratas, quedas de água. E na Islândia é assim...

Cataratas de Seljalandsfoss. Na zona sul da ilha, num local onde outrora era mar, as águas do rio Seljalandsá caem de uma altura de 60 metros. É possível subir parte da encosta e entrar por detrás da cortina de água de onde se tem imagens absolutamente fantásticas ou então subir mesmo ao cimo mas, com gelo e neve todo o cuidado é pouco e o uso de “crampons” é essencial.




As Cataratas de Skógarfoss num canto de um imenso vale, entre os glaciares Eyjafjallajokull (sim aquele do vulcão) e Mýrdalsjokull, são talvez umas das mais imponentes quedas de agua da Islândia. Vale a subida, penosa, devo admitir, até ao cimo de onde se tem uma vista bem ampla tanto da paisagem como uma perspetiva mais vertical da queda de água. Em dias de sol imagens como esta são muitos comuns embora nunca nos cansemos de as admirar.






Cascatas de Gullfoss, as “cascatas douradas” que deram o nome ao circuito turístico mais famoso da Islândia (Círculo Dourado ou Golden Circle). O violento caudal do rio Hvítá alimentado pelo degelo dos glaciares desenhou o relevo por onde corre a agua que nesta altura do ano está meio congelada. O efeito é surreal. 



O barulho é ensurdecedor e o vento provoca uma chuva miudinha que consegue encharcar quem se aproxima mas esqueçam tudo isso porque a subida ao promontório vale bem o desconforto. 


Neste local existe um pequeno memorial em honra da mulher que, dizem os islandeses, salvou Gullfoss de ser transformada em barragem. Sigríður Tómasdóttir, uma jovem camponesa, era filha do dono destas terras e ela e as suas irmãs serviam de guias a quem queria visitar a queda de água. No princípio do séc. XIX investidores estrangeiros quiseram comprar os terrenos para aí construir uma barragem e ofereceram 50.000.00 coroas à família. O pai de Sigríður não aceitou mas, apesar da sua recusa, os ingleses tomaram posse da cascata. Lutando contra os interesses dos homens mais ricos da Islândia e em forma de protesto a jovem caminhou, 120 Km, descalça, até Reykjavik. Vendo que tudo parecia perdido chegou a ameaçar que se lançaria nas águas. O seu esforço sensibilizou um advogado, Sveinn Bjornsson, que conseguiu a anulação do contrato, tendo transferido a propriedade da Cascata de Gullfoss para o povo da Islândia. Este advogado viria a ser o primeiro presidente do país. (Esta história faz parte do livro das Sagas Islandesas).


A sudeste da ilha, o glaciar Vatnajökull ocupa mais de 8% do território da Islândia, é a maior massa de gelo da Islândia e a segunda maior calota de gelo da Europa. 





Fizemos uma incursão no glaciar para conhecer uma gruta de gelo. Travessia possível apenas com veículos todo o terreno com pneus “extra-large”. Viagem não aconselhável a  a quem sofra das costas (querida S. foste uma corajosa) pois a viagem é bastante “agitada”. A gruta não é subterrânea o que permite a entrada dos raios solares através do gelo. 




Quando isso acontece o teto da gruta ganha uma cor azul translúcida com efeitos visuais lindíssimos. 






Perto do oceano, formado pelo degelo do Vatnajökull, um grande lago de águas transparentes oferece uma visão única. Jökullsárón o lago dos icebergues. Dezenas de blocos de gelo de variadas formas flutuam ao sabor da corrente que os transporta para o mar através de um estreito canal. 







Muitos ficam pelo caminho e acabam por desaguar numa grande praia de areia preta. 






Os blocos de gelo na areia preta formam autênticas esculturas cristalinas e transparentes.




Vik é uma pequena cidade situada na ponta mais a sul da ilha. Pequena em tamanho mas enorme em atração. As suas praias de areia negra de origem vulcânica são famosas e muito concorridas. 




Na praia de Reynisfjara as formações rochosas resultantes do processo de arrefecimento da lava são imponentes. Como a  parede formada por blocos em forma de prisma ou a enorme gruta escavada pelo avanço do mar.






O mar é bravo e perigoso! Ainda assim…há quem se arrisque, no mínimo a apanhar uma valente constipação. 



Kirkjufell, na Península de Snaefellsnes é, talvez, a paisagem mais fotografada da Islândia. A “montanha em forma de igreja” assim conhecida é uma formação rochosa gigante entre dois glaciares – um Nunatak - que se eleva a cerca de 460 metros. A erosão glaciar e a pressão exercida pelos dois glaciares esculpiram esta obra de arte em forma de montanha. 




No sopé da montanha as quedas de água Kirkjufellfoss compõem este belíssimo quadro. Além, que é daqui que se tiram as melhores fotos da montanha (fica a dica). 





A Lagoa Azul – Blue Lagoon – um spa ao ar livre a cerca de 40 Km de Reykjavik. Um enorme lago artificial com uma água azul esbranquiçada rica em sílica e aquecida a uns agradáveis 38ª por uma estação geotermal. Ponto de passagem obrigatória… Os islandeses frequentam a Blue Lagoon pelas propriedades terapêuticas da água. Os turistas vão pela experiência e já é da praxe a foto da cara com a máscara de sílica. A pele fica com muito bom aspeto mas atenção ao cabelo. Usem e abusem do amaciador, de óleos, de máscaras, etc, senão arriscam-se a sair de lá com uma cabeleira muito “rebelde”. Aliás, nos balneários e antes de se entrar para a piscina há amaciador disponível que se aconselha a usar. A hora de entrada faz-se por marcação e os bilhetes devem comprar-se com antecedência para não haver surpresas. Ao princípio e ao final do dia a entrada é mais barata. Não se esqueçam do fato de banho, da toalha e dos chinelos. Podem sempre alugar mas é caro! 
Um ótimo momento de relax. E que bem que soube "estar de molho" nestas águas quentinhas com a temperatura exterior quase a roçar os 0º. 



Agradeço aos meus companheiros de viagem a boa disposição, simpatia e camaradagem. 

Equipa 5 estrelas aqui retratada com mestria pela Simone Nico santos.


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2 comentários:

  1. Que fotografias ! E que descrições... Apetece logo ir depois destas leituras!

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    1. Obrigada Teresa :-)Uma forma de viajar outra vez. Assim que publico apetece-me logo repetir a viagem...

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