quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Dürnstein


Mais uma cidadezinha surpresa! A meio caminho entre Krems e Melk, no lindíssimo Vale de Wachau do Rio Danúbio, (Baixa Austria) situa-se a minúscula cidade de Dürnstein. Uma pequena localidade guardada pelas ruinas de um castelo, com ruas empedradas e casas encaixadas nas encostas rochosas sobranceiras às vinhas cultivadas nas margens do rio.







Um cenário bem bonito que não deixou indiferente o realizador Ernst Marischka que aqui filmou parte da série de filmes sobre a vida da Imperatriz Sissi. Não admira, porque se hoje é assim, há 60 anos atrás ainda devia ser mais bonita. 















Dürnstein como muitas outras povoações que cresceram ao longo do Danúbio teve a sua importância quando o rio constituía a principal rota comercial do país. Dürnstein é um local turístico e paragem obrigatória para quem faz o circuito “Rota do Danúbio” de barco ou de bicicleta. De facto, esta pequena cidade está tão bem conservada e soube aproveitar tão bem o seu passado que vale bem o desvio para se ir lá.



Dürnstein cresceu protegida pelo castelo, agora em ruinas, que inclusive, lhe deu o nome – Duerrstein – que significa pedra dura, por ter sido construído em rocha.


A verdadeira história desta povoação foi enriquecida ao longo dos séculos com um certo toque de lenda dada pela figura do Rei Ricardo Coração de Leão que ali terá passado no regresso de uma das Cruzadas. Por motivos que se perderam no tempo e nunca bem esclarecidos o Rei Ricardo foi acusado de traição por Leopoldo V, Duque da Áustria e, feito prisioneiro nas masmorras do Castelo. Ficaria ali perdido para sempre, não fosse o seu fiel e leal escudeiro que não desistiu até o encontrar. Assim, conta lenda que Blondell, o escudeiro, andou de terra em terra a cantar a canção preferida do Rei para ver se alguém lhe respondia. Quis o destino que numa manhã passasse pelas muralhas do castelo onde o seu amo estava preso e dessa vez alguém cantou de volta os versos da sua canção… O Rei foi mais tarde libertado e Leopoldo excomungado por ter capturado um valoroso Cruzado. E Blondell ainda é recordado nas ruas de Dürnstein.





O antigo convento dos Agostinhos totalmente renovado no século XVII, em estilo barroco, é uma construção imponente.






A belíssima torre da igreja pintada de azul e branco que sobressai na paisagem como se fosse um farol. Não podemos deixar de a olhar, porque de facto é singular e muito bonita.




O azul e branco da torre a representar a cor do céu, o amarelo e o cinzento da abadia a representar as cores da terra. A constante ligação do homem a Deus.



E é muito fácil acreditar que, de facto, houve mão divina nesta paisagem.



4 comentários:

  1. Não me canso de admirar estas fotos sobre a Austria. Que bonito. Tenho mesmo de ver se consigo fazer uma viagem como esta.

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  2. As esculturas, brancas com o fundo azul, da torre da igreja, fizeram-me lembrar as belas obras de Lucca della Robbia e de seu sobrinho Andrea, algumas das quais podemos apreciar ) em Lisboa. Não me recordo do Museu.
    Como sempre acompanho com prazer as tuas belas reportagens, por essas tão belas paragens.

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    1. No Museu de Arte Antiga podemos admirar algumas obras de Lucca Della Robia. As suas esculturas renascentistas tinham muito esta dicotomia do azul e branco. Lindíssimas.

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