quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Nova Iorque - Midtown o centro de Manhattan


Midtown Manhattan é como se fosse a fotografia oficial de Nova Iorque. Numa só imagem juntamos os arranha-céus, os edifícios mais icónicos do mundo, as luxuosas lojas da 5ª avenida, os famosos teatros da Broadway, a sede das Nações Unidas, os estúdios das três mais importantes redes de televisão dos Estados Unidos e Times Square. A seguir a Lower Manhattan é o segundo distrito financeiro mais importante do país e o seu mercado imobiliário é direcionado para bilionários.


Apesar de, cada vez mais, os turistas procurarem conhecer outros aspetos da cidade, menos populosos e glamourosos, Midtown Manhattan continua a ser a zona turística de excelência e local de preferência para se escolher onde ficar. Aqui está-se perto de tudo e a meio caminho para todo o lado.

Tudo o que por aqui se vê já nos é muito familiar. Cenas de filmes e de séries de televisão vêm à memória quando olhamos em nosso redor, por isso, o nosso passeio por Midtown Manhattan é um déjà vu vivido com a emoção de estarmos na realidade, ali.

Aqui ficam imagens e impressões de alguns dos locais por onde passámos sem seguir, necessariamente, um percurso pré-determinado. O mapa que juntamos no final poderá, no entanto, ajudar na elaboração de um roteiro. Muito mais haverá, cada um o descobrirá à sua maneira.

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Nas ruas, entre os edifícios, as sombras alongam-se. Olhamos para cima e o céu parece-nos estar mais longe.



O céu de Nova Iorque é belo porque os arranha-céus o empurram, afastando-o das nossas cabeças. Solitário e puro como um animal selvagem, monta guarda e vela sobre a cidade. E não constitui apenas uma proteção local, visto que sentimos que ele se estende à distância sobre toda a América; é o céu de todo o mundo.” by Jean Paul Sartre.




Os primeiros grandes edifícios de Nova Iorque foram construídos com o propósito de desafiar a gravidade e de se suplantarem uns aos outros em tamanho. Estava-se em plena época de expansão urbanística e por todo o lado surgiam edifícios cuja arquitetura e, principalmente, número de andares dependiam da quantidade de dinheiro que se dispunha para a sua construção. Os grandes poderes económicos de Nova Iorque, no início do século XX, degladiavam-se nas alturas e a propriedade aérea chegava a valer mais que o terreno para a implantação do próprio edifício. 



Um dos primeiros arranha-céus a serem construídos em Nova Iorque foi o Fuller, um edifício com uma estranha forma triangular a lembrar um ferro de engomar. Daí o nome com que ficou conhecido “Flatiron Building” (edifício Ferro de Engomar).



Estava-se em 1902 e o “Flatiron Building" transformou o cruzamento da avenida com a 23ª rua num local bem concorrido. 



Poucos anos mais tarde Frank W. Woolworth , dono do grande império de lojas five-and-dime (a versão americana das nossas lojas dos trezentos) decidiu, também ele, construir um edifício que fosse o mais alto da cidade. Porém, não foi a altura que diferenciou o Woolworth Building mas sim o seu estilo de construção com laivos góticos e a sua original cúpula verde. É um dos prédios mais icónicos de Nova Iorque e os seus últimos 30 andares estão prestes a serem reconvertidos no mais recente condomínio de luxo da cidade.



Na paisagem de Nova Iorque, na avenida Lexington, na esquina com a 42ª rua, sobressai, de dia e de noite, o brilho de um magnífico edifício de 77 andares e 319 metros de altura. Já perdeu o estatuto, há muito, de ser o mais alto da cidade mas, continua a ser o mais belo arranha-céus que rompe o horizonte de Manhattan. Construído no estilo Art Deco o Chrysler Building (edifício Chrysler) foi erguido com o dinheiro da promissora indústria automobilística dos anos 30. 





A sua torre forrada a aço inoxidável faz lembrar a estrutura do radiador de um automóvel.



Imagem da porta de um dos elevadores.Todo o design interior segue o estilo arquitetónico exterior.



Como descrever um dos edifícios mais "de tudo" do mundo? Mais famoso, mais alto, mais visitado, mais filmado, mais fotografado...



O Empire State Building representa a grandeza e a ironia do sonho americano. Projetado e construído nos anos negros da década de 20, em plena crise económica, este edifício com 120 andares e 6.500 janelas foi um negócio ruinoso mas foi, precisamente, a sua característica megalómana que o salvou. Foi durante 40 anos o edifício mais alto da cidade, deixou de o ser após a construção das torre gémeas, voltou a sê-lo depois do 11 de setembro e com a construção do novo World Trade Center perdeu novamente o título mas, não a sua fama.




Conforme nos sugeriram subimos ao 86º andar do Empire, a horas, para assistir ao pôr do sol e ver as primeiras luzes a iluminarem a cidade.






E sim, conseguimos apreciar o espetáculo que é Nova Iorque iluminada e vista de cima.





E sim!!! Também deve ter sido a resposta da jovem que, ali no meio de uma multidão, foi pedida em casamento com direito a anel, ramo de flores e amigos aos gritos. Parece que este local é muita vez escolhido para pedidos de casamento e situações festivas. Com muita pena minha não houve direito a foto!

Outra das grandes atrações verticais de Nova Iorque é o G.E.Building. Construído nos anos 30 tem 69 andares e está inserido no grande complexo comercial de Rockeffeller Center. Propriedade da General Eletric é a sede nacional da cadeia de televisão NBC. 



Conhecido por Top of the Rock os seus andares panorâmicos ao nível do 62º andar oferecem vistas únicas de 360º da cidade.



O Central Park visto do Top of The Rock.



Ao longe o Empire State Building.



Mas com os pés bem assentes na terra há muito que ver. 



Na esquina da 42ª rua com a 5ª avenida fica a New York Public Library (Biblioteca Pública de Nova Iorque), um dos meus locais preferidos de Nova Iorque. A entrada é livre e podemos percorrer os seus enormes corredores e entrar nas várias salas de leitura existentes. 

O edifício foi construído em 1911 num estilo neoclássico e é revestido a mármore branco. A entrada faz-se por uma escadaria ladeada pelas estátuas de dois leões apelidados de paciência e coragem, características que, se pretendia que os americanos tivessem nessa altura para enfrentar a crise económica que se avizinhava.


Como curiosidade, o edifício da biblioteca serviu de cenário para o filme de ação norte-americano, "O dia depois do amanhã".



Das escadarias uma perspetiva da vida e da cor de Nova Iorque apesar da chuva. Se a foto fosse sensorial ouvir-se-ia a sirene dos bombeiros e sentir-se-ia o cheiro a fumo de um incêndio num prédio ali perto.



A Grand Central Terminal ou Central Station fica ali onde a 42ª rua se encontra com a Park Avenue. Um vai e vem constante de pessoas, ou não fosse esta, uma das maiores estações de comboios do mundo. Tem 44 plataformas, em dois níveis, e um total de 67 linhas de comboio e parece concentrar em si toda a vida de Nova Iorque.

Inaugurada no início do século XX, segue um estilo art noveau, próprio da época mas, aquilo que se vê hoje é fruto de uma enorme remodelação. Depois de quase ter sido demolida devido ao seu estado decadente ganhou um novo alento graças a uma campanha levada a cabo por Jacqueline Kennedy (felizmente para todos nós).



O seu hall de entrada - Main Concourse - e a magnífica pintura do seu teto espelham a grandiosidade do edifício.




O seu conhecido relógio que encima o balcão das informações vale uns bons milhares de dólares. Merece um olhar bastante atento e demorado para se poder apreciar as suas quatro faces feitas de opala.



O seu interior é quase um centro comercial e algumas das lojas são, mesmo, referências nova iorquinas, como a Magnólia Bakery (pastelaria) cujos cup cakes foram celebrizados pela série televisiva "O sexo e a cidade". 

Um dos restaurantes de referência de Nova Iorque está aqui, num dos pisos subterrâneos da estação, o “OysterBay” onde as ostras, a “clam chowder” (sopa de Nova Inglaterra) e os caranguejos de casca mole são servidos a um preço muito acima da média. Depois de ler a ementa ficámo-nos pela foto. 



Na fachada da 42ª avenida olhamos para cima e vemos Hércules, Minerva e Mercúrio, que no seu papel de deuses, protegem a maior peça de vidro Tiffany do mundo, que é o valioso relógio que encima a fachada.



Indo em direção da 50ª rua e caminhando lateralmente até à 5ª avenida a Catedral de Saint Patrick - Saint Patrick’s Cathedral – a maior Catedral católica da América e um local de recolhimento dos nova-iorquinos.

A igreja construída em estilo neogótico oferece uma visão singular para quem passeia numa das mais famosas avenidas do mundo, a 5ª avenida. Em frente ao Rockfeller Center a Catedral impõe a sua presença criando como que uma área de descanso no ritmo alucinante da cidade.



Estamos na 5ª avenida - 5th Avenue  - a avenida mais conhecida de Nova Iorque e a mais glamourosa. As montras das marcas mais famosas enchem a vista e vale a pena entrar nas lojas e deambular um pouco por esse mundo tão exclusivo. 



A 5ª avenida é o cenário do romance "A Idade da Inocência" de Edith Wharton (1920) que descreve o universo das familías aristocráticas e a elite social de Nova Iorque da época de 1870,



5ª avenida continua muito para além de Midtown mas o troço  a Este do Central Park o glamour das lojas dá lugar ao glamour do dinheiro. Nesta zona vive a classe alta de Nova Iorque em luxuosos blocos de apartamentos. A outra face desta avenida mostra-se no cruzamento da 5ª avenida com a 110ª rua em Ellington Circle quando se entra no El Barrio em East Harlem. Uma avenida, várias realidades, assim é Nova Iorque. 

Mas deixando Upper Manhattan (zona do Central Park) para outra publicação voltamos um pouco para trás e passamos em frente a uma das lojas com um nome bem sonante…Tiffany’s a famosa joalharia onde a não menos famosa atriz Audrey Hepburn adorava ir.


Entramos assim no Diamond’s District (quarteirão das ourivesarias e joalharias) onde as lojas de diamantes se sucedem umas atrás das outras. Um quarteirão inteiro dedicado ao movimentado comércio de venda e compra de diamantes.

As ruas de Nova Iorque convidam ao passeio. 




Deixe-se levar pelo movimento, vire á esquerda, volte para trás, vire à direita, torne a voltar e verá que de cada vez tudo vai parecer diferente. 



E de repente surge… 



Times Square. Os colonizadores britânicos chamaram-na de Longacre Square mas foi o jornal New York Times que ali tinha a sua sede que lhe deu o nome pela qual é conhecida. Na realidade Times Square não é bem uma praça, nem é bem uma rua, é mais um entroncamento onde confluem várias ruas e onde a Broadway e a 7ª avenida se encontram. 

Nesta zona comercial os letreiros luminosos são obrigatórios, de dia e de noite. 




Times Square é a maior zona de entretenimento da cidade, fazendo parte do distrito dos teatros com uma grande oferta de espetáculos, nomeadamente musicais que chegam a estar em cena durante vários anos, como foi o caso da peça “Cats” de Andrew Lloyd Weber que esteve em exibição durante 18 anos. 




A cidade onde tudo acontece! Por muitas vezes que se visite Nova Iorque haverá sempre algo que nos irá surpreender...




NOTA:
Quero agradecer aos meus amigos Carlos e Fátima por me terem cedido algumas fotos para ilustrar o texto.

4 comentários:

  1. Mais um grande post. Adorei os textos e as fotos.

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  2. Adorei viajar por esta tua reportagem sobre Midtown Manhattan, com a qualidade fotográfica e textual, a que já nos habituaste !

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  3. Obrigada Catarina e Teresa. Tem sido muito bom relembrar os meu passeios por Nova Iorque e ainda bem que gostaram. Brevemente sai o último da série NY sobre Upper Manhattan.

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  4. Uma das minhas viagens de sonho... Quem me dera...

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