sábado, 21 de novembro de 2015

Um dia em Bruges

O seu nome vem de Bryggia que significa “porto” em neerlandês antigo. Atualmente é Bruges em neerlandês ou Brugge em francês.


Bruges foi uma cidade portuária importante. O comércio era a sua grande e principal atividade económica, com grande impacto, nomeadamente, no comércio marítimo nos séculos XII e XIII. A indústria de lãs e tecidos incluíram esta cidade nas rotas comerciais flamengas e os navios mercantis da época faziam de Bruges a principal conexão com o comércio do Mediterrâneo.Bruges foi, inclusive, a sede do capitalismo medieval quando, no século XIV, abriu a primeira Bolsa de Valores do mundo onde se movia um sofisticado e complexo mercado financeiro.


No século XVI o Zwin, o seu principal canal que ligava a cidade ao mar começou a ficar obstruído pelo lodo e, apesar dos esforços feitos ao longo do tempo,Bruges acabou por perder o poderio económico e Antuérpia passou, desde então, a ser o centro económico dos Países-Baixos.




No século XVII uma obra literária de cariz esotérico tornou Bruges um destino turístico para os estudiosos da matéria e para os curiosos que procuravam nas suas ruas e nos seus monumentos o segredo oculto das páginas do livro Bruges-La-Morte, de Georges Rodenbach, escritor belga de língua francesa ligado ao simbolismo.

E até hoje assim tem sido com a indústria turística a impulsionar a economia da cidade. A verdade é que a cidade está muito bem cuidada e muito bem apetrechada para receber o turista. No entanto, desengane-se se pensa que a cidade se resume às multidões nas suas praças, aos restaurantes cheios, aos autocarros turísticos, aos passeios pelos canais e filas enormes de pessoas sempre à espera de qualquer coisa. Tal como uma dama velada que esconde os seus segredos debaixo do véu, Bruges parece um local envolto em mistério. E é nesta característica mítica e simbólica que reside a verdadeira essência desta cidade à qual ninguém consegue ficar indiferente.

A sua história ao longo dos séculos esteve sempre intimamente ligada a disputas civis e religiosas. Vários senhores da Flandres tentaram transformar Bruges numa cidade santa do Ocidente, uma Nova Jerusalém, tal não era já a ligação que existia com a Ordem do Templo e com a Ordem do Tosão de Ouro. Para os católicos romanos, Bruges estará sempre associada à relíquia do Santo-Sangue de Cristo (um pedaço do Santo Sudário) que terá sido levada para lá em 1150 pelo Conde da Flandres Thierry d’Alcase e quem sabe se ainda lá estará guardada na minúscula Basílica da cidade.



Os símbolos visíveis nas ombreiras, em muitas das portas, testemunham a ligação da cidade ao ocultismo e às sociedades secretas e religiosas.



Na nossa visita não seguimos um circuito pré-definido. Fomos onde as ruas nos levaram e onde a chuva, que se fez cair de manhã nos levou a abrigar.

Catedral de São Salvador / Sint-Salvatorskathedraal

É a mais antiga igreja paroquial de Bruges e só depois da sua construção foi elevada a Catedral. Da estrutura românica original do século XII pouco resta, apenas partes do pórtico que dava acesso ao templo. No entanto, as constantes obras de restauro não lhe tiraram a imponência e o seu aspeto de fortaleza.


No interior, o majestoso órgão domina a nave da igreja.


Imagem do imponente púlpito da igreja.


Os túmulos descobertos durante escavações datam da Idade Média e as suas pinturas com motivos religiosos encontram-se bem conservadas.


Continuámos o nosso passeio...




Igreja de Nossa Senhora / Onze LieveVrouwKerk

É a maior igreja católica da cidade e a mais visitada. De estilo flamengo a sua estrutura mostra uma grande influência do catolicismo espanhol. Abriga os túmulos de Maria de Borgonha e de seu pai Carlos o Calvo que reinaram nos países baixos nos finais do século XV.




A torre desta igreja, a segunda maior torre da Europa construída em tijolos, tem 122 metros, e é praticamente visível a partir de qualquer ponto da cidade.



No interior é possível admirar antigas pinturas de artistas flamengos.





A peça em exposição e que mais atrai os turistas é uma “Madonna” de Michelangelo esculpida em mármore de carrara no princípio de 1500. A escultura pertence a uma família de Bruges que a disponibliza permitindo que o público a possa admirar. A entrada na igreja é gratuita mas se quisermos estar frente a frente com a obra do grande Michelangelo temos de pagar 3 euros.



Mesmo em frente à igreja encontra-se o antigo hospital da cidade, um exemplo da arquitetura medieval da cidade que é atualmente um centro de exposições e uma galeria de arte.




Nos jardins, podemos ver uma escultura de dois monges intitulada “Beijo da Paz” (1947).



O sol que despontou deu-nos um pouco de céu azul, o suficiente para que o passeio de barco pelos canais tivesse outra luz o que nos permitiu ter uma belíssima perspetiva da cidade.











Lá dizem os entendidos que qualquer altura é boa para beber uma cerveja e quem somos nós para contrariar tão douta opinião.


O problema é a escolha mas nada como optar por um kit de degustação.





O passeio continuou rumo à mais bela praça de Bruges. As imagens ilustram muito bem a 
beleza e grandiosidade dos edifícios da Grande Place / Grote Markt (parece que todas as cidades da Bélgica têm uma Grande Place).







Campanário de Bruges / Belfort



A sua construção data de 1300 e a torre foi construída para instalar o sino da cidade cujo peso atinge as seis toneladas. Numa das salas consegue-se ver a sua complexa maquinaria.



Subimos ao ponto mais alto que se poderia subir. Cerca de 360 degraus numa escada estreita em caracol que parecia não ter fim. Finalmente a 100 metros de altura deparámo-nos com uma vista espetacular sobre cidade. E todo o esforço valeu a pena e os 8 euros da entrada.







Perto da Grande Place o local que se pode dizer ter sido onde a cidade começou. Nesta pequena praça de nome Burg pode visitar-se o prédio da antiga câmara municipal da cidade e a mais pequena Basílica do mundo que, para os mais desatentos poderá passar despercebida.




Basílica do Sangue Sagrado

Construída no século XII, diz a sua história, aqui estará guardado um relicário que contém um pedaço do Santo Sudário trazido da Terra Santa pelo Conde da Flandres Thierry d’Alcase.




Béguinage / Begijnhofde Bruges

Era uma vez, num tempo do qual já não se tem memória, uma rainha muito piedosa, de nome Béatrice, que decidiu afastar-se do mundo e viver em retiro religioso. Com ela foram as suas duas filhas, Ghiselgune, solteira e sem gosto para o casamento e Nazarena viúva recente. As três mulheres fundaram um convento que se passou a chamar-se Beghina, cuja palavra é formada pelas primeiras sílabas do nome das suas fundadoras. Daí a origem, diz a lenda, da palavra Beguinas.

As Beguinas são as mulheres que dedicavam a sua vida a Deus, vivendo num regime semi-monástico, sem se ordenarem formalmente. Aliás, uma situação muito comum nos conventos da região da Flandres e partes da Alemanha, durante os séculos XIII e XIV.

O Begijnhof de Bruges foi fundado em 1245 e é considerado Património da Humanidade. Um muro protege o conjunto de pequenas casas pintadas de branco que rodeiam um amplo e bem tratado jardim de árvores. Tem duas entradas acessíveis por pequenas pontes sobre um troço mais recatado de um canal. Atualmente são as Irmãs da Ordem de Santa Benedita que aqui habitam, cerca de 20. 




Não será preciso o aviso à entrada a recomendar silêncio pois assim que transpomos o seu portão a serenidade e a tranquilidade que se vive naquele local é contagiante. Apesar das multidões que percorrem a cidade atrás destes muros não vê ninguém. Como se houvesse uma ordem imaginária que que nos fizesse sentir como os únicos naquele local.




Na igreja pode assistir-se a missas e no museu instalado numa das casas aprende-se muito sobre o modo de vida destas mulheres que seguem um preceito de vários séculos.



Das palavras ficam as imagens! Das histórias ficamos a saber, apenas, aquelas que Bruges nos quer contar!









Como fomos:
De comboio de Bruxelles Central / Bruges
Preço do bilhete: 28,20 (comprado na estação).
Viagem dura cerca de 50 minutos.

Em Bruges:
Da estação ao centro da cidade são cerca de 15 minutos a pé.
Um dia para visitar a cidade.

4 comentários:

  1. Estivemos na Bélgica em Julho de 2015 e dedicámos um dia a Bruges. Adorámos e ao fim do dia demos um pulo a Knokke qqr coisa, uma praia a norte quase na fronteira. A água pelas 18.30 estava mais quente que nalguns dias algarvios... Mas depois tivemos que sair a correr porque começou a chover!

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    1. Knokke é um local de veraneio. Fica na fronteira com a Holanda e surgiu com a construção dos diques de proteção ao principal canal navegável o Zwin. A terra tem um ar de férias muito anos 70.
      A Bélgica tem locais muito bonitos não tão conhecidos como Bruges ou Gent. É um país em que valerá a pena investir uma temporada.

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  2. Que cidade tão bonita! Gostei particularmente da praça principal e a vista lá de cima, os 360 degraus valeram mesmo a pena, parece ser espectacular! E Gent, que mencionaste no comentário acima, nunca tinha ouvido falar sequer. Parece igualmente bonita! Estas pequenas cidades menos turísticas são excelente. Não tinha muita vontade de ir à Bélgica (Bruxelas não me desperta particular curiosidade), mas talvez só tenha de procurar estes sítios mais pequenos e conjugar tudo...

    http://aondenaoestou.blogspot.pt/

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    1. Obrigada por andar por aqui e pelo seu comentário. A partir de Bruxelas podemos organizar vários passeios. As viagens de comboio são rápidas, confortáveis e relativamente em conta. Mas visite Bruxelas e vai ver que se surpreende pela positiva e depois parta à descoberta da Bélgica...BOAS VIAGENS

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