sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Bruxelas - entre valões e holandeses

O que tem Bruxelas de interessante?

Ouvi várias vezes perguntarem-me quando mencionava que iria lá passar uns dias. De facto Bruxelas é sinónimo de política, de comissões e de conselhos europeus.  Cidade onde se vai a trabalho e, apenas por um ou dois dias. Mas para além disso? O que tem Bruxelas para oferecer a quem a visita como turista?

Muito, na minha opinião, pois não só Bruxelas é uma cidade muito interessante, que vale a pena conhecer, como a partir dali é muito fácil e não muito caro, visitar outras cidades belgas. Acaba por ser o dois em um, ou mais, conforme o tempo disponível que tenhamos.

Para nós foram 4 dias e meio, um dos quais guardámos para conhecer Bruges. Nos restantes, a pé e de metro lá partimos à descoberta da cidade.


Na capital da Bélgica falam-se e escrevem-se dois idiomas, o francês (herança dos valões) e o holandês (herança dos flamengos) pelo que, os nomes das ruas e dos locais aparecem escritos nas duas formas. Sempre que possível vou seguir esse princípio e desde já peço desculpa por qualquer erro ortográfico que cometa. O holandês não é o meu forte...




Por onde andámos...

A praça central de Bruxelas, Grand Place ou Grote Markt, que Victor Hugo considerou ser a mais bela do mundo.

Apesar das tendas brancas, no centro da praça, o olhar perde-se no lindíssimo conjunto de edifícios que a rodeiam e nos apontamentos dourados das fachadas que contrastam com o cinzento da pedra. 




A arquitetura renascentista flamenga em todo o seu esplendor.





Continua a ser dos locais mais movimentados da cidade e a tradição das feiras, festas e mercados no seu largo ainda se mantém. Desta vez, não era propriamente um mercado mas sim um festival, o da Cerveja. Durante três dias serviram-se mais de 400 tipos de cerveja a uma multidão que a partir das 10 horas da manhã já estava na fila para comprar a sua caneca…



A Câmara Municipal – Hôtel de VIlle – cuja construção original, em estilo gótico, data da idade média e tem a particularidade dos seus lados não serem simétricos. Um tem 10 arcos o outro 8. Conta-se que o responsável da obra quando se apercebeu do erro se suicidou atirando-se de uma das janelas. Nem o Anjo Miguel, patrono da cidade, cuja estátua dourada encima a torre, lhe valeu.




Em frente ao Hôtel de Ville o edifício que alberga o Museu da Cidade e onde o Manneken Pis guarda o seu extenso guarda roupa.




A estátua do Manneken Pis (menino a urinar para um pote) que é grande, de nome e de fama mas, minúscula em tamanho. Entre as muitas histórias que se contam sobre quem seria este menino misterioso está uma, aliás muito semelhante àquela que se conta sobre o nosso menino Jesus da Cartolinha de Miranda do Douro. Em tempos de guerra e sob a iminência de um forte ataque inimigo os locais viram um menino a urinar para os barris de pólvora dos invasores impedindo-os, assim, de atacar a cidade.
Em agradecimento a cidade encomendou esta pequena estátua do menino que, umas vezes está nú, outras vestido de acordo com uma ocasião específica com um dos seus 800 fatos. Um extenso guarda roupa que com pompa e circunstância se encontra em exposição no Museu da Cidade, na Grand Place.


Desta vez vestiram o menino em honra da Confrérie Saint Feuillen du Roeulx (uma confraria dedicada à cerveja Saint Feuillen).


Depois da homenagem tempo de regressar a casa.


A Praça Marché-aux-Herbes ou Grasmarkt com animação de rua a embalar o vai e vem de residentes e turistas que passeiam entre as bancas de artesanato, velharias e roupas em segunda mão. 


Em redor da praça muitas lojas, bares e restaurantes e... as Galerias Reais de Saint- Hubbert Galeries Royales Saint-Hubert  ou Koninklijke Sint-Hubertusgalerijen) das galerias mais antigas da Europa, anteriores mesmo, à famosa galeria ‘Passagem’ em Saint Petersburg, na Russia.



São três passagens em honra da família real, do Rei, da Rainha e do Príncipe. Além das lojas estes espaços têm também apartamentos privados e um teatro. Ganharam o nome popular de ‘guarda-chuva de Bruxelas’ e foram, durante o século XIX, o ponto de encontro de figuras proeminentes da sociedade belga da época. Victor Hugo, Alexandre Dumas ou Charles Baudelaire costumavam reunir-se aqui para discutir a situação política do país.



Galerias comerciais de luxo cobertas por um inovador (para 1847) telhado de vidro e decoradas com montras assaz sugestivas. 


Saindo da Galeria do Rei um pouco acima à direita um dos bares mais afamados de Bruxelas e já local turístico mencionado nos guias. La Mort Subite, onde a cerveja é a bebida principal da ementa.


Subindo mais um pouco e ao cimo da rua, a Catedral. A sua história começou no século IX e a sua reconstrução no século XII demorou 300 anos a ser concluida. De estilo gótico e renascentista é uma das testemunhas mais antigas da história da cidade. Sobreviveu a guerras e pilhagens e assistiu a casamentos e batizados da realeza.




O seu interior merece uma visita principalmente pela beleza dos seus vitrais.


A presença de Portugal na Bruxelas do Século XVI. Um dos vitrais que se encontra num dos transetos da nave da igreja representa o Imperador Carlos V do Sacro Império Romano-Germânico tendo atrás de si, de joelhos, a sua mulher Dona Isabel de Portugal, filha do rei D. Manuel I e mãe de Filipe I de Portugal (Filipe II de Espanha).



Em frente ao Parque Real o Palácio Real de Bruxelas (o local de trabalho dos reis da bèlgica) que foi possível visitar pois, durante o verão encontra-se aberto ao público e com entrada gratuita. 





A Praça de Coudenberg debruça-se sobre uma das vistas mais bonitas da cidade…


O Mont des Arts o centro da cultura de Bruxelas. Museus, galerias, uma biblioteca e uma vista absolutamente fantástica sobre a cidade.




De salientar os belíssimos edifícios que ladeiam a praça e que, aliás, fazem parte do roteiro do estilo Arte Nova muito percorrido por quem aprecia este género arquitetónico.



Os Museus Reais da Bélgica são um conjunto de espaços que reunem um coleção de obras de arte para cima de 20.000 trabalhos, entre pintura, escultura, desenho e audiovisuais.


No Museu de Arte Antiga uma das mais ricas e importantes coleções  de obras de arte flamenga, onde se podem encontrar trabalho dos primitivos flamengos.

O Museu de Arte Moderna expõe o panorama cultural desde o século XVII até à atualidade, desde a pintura, escultura e mobiliário e louçaria.


O Museu Magritte, também inserido no conjunto, dá-nos a conhecer a vida de Rene Magritte que foi um dos principais artista surrealistas belgas. 



Das artes passamos para o mercado de antiguidades. O Bairro de Sablon protegido pela igreja Notre-Dame-du-Sablon e por seus edifícios dos séculos XVII e XVII é local de colecionadores e antiquários.

Na praça um mercado de antiguidades e em redor, lojas e galerias do ramo.



Ao fundo vislumbra-se o Palácio da Justiça um dos edifícios emblemáticos de Bruxelas.



Avenue Louise a larga e uma das mais movimentada avenidas de Bruxelas, bem situada e acessível por todos os transportes. Vale o passeio para se ver as montras e fazer compras, desde que não chova!!


O metro que vai na direção de Merode ou Schuman leva-nos onde se discute a Europa.


Passamos adiante e continuamos até ao Parque Cinquentenário ou Jubelpark assim chamado porque foi construído para as comemorações dos 50 anos de independência da Bélgica, em 1880. O Arco do Triunfo ‘Les Arcades du Cinquentenaire’ simboliza essa data e assinala o desenvolvimento económico e industrial do país nessa altura.




Muito para visitar! Em redor do parque o Museu Real do Exército e da História Militar, os Museus Reais de Arte e História de Bruxelas, o Museu Autoworld, o Centro cultural Islâmico e o Pavilhão das Paixões Humanas de Victor Horta, arquiteto belga e pioneiro da arquitetura Art Nouveau na Bélgica.


A caminhada seguinte levou-nos até ao Parque Leopold e ao Bairro europeu, uma zona residencial inserida no complexo das instituições europeias.



Praça do Luxemburgo. Fica fora dos circuitos turísticos e os seus bares e restaurantes são sobretudo frequentados por quem trabalha ou mora na zona.



Voltamos a passar pelos Jardins Reais - Parque Real - onde decorria na altura o festival da Banda Desenhada A Bélgica é o país natal de muitos e bons artistas desta área ou, não fosse o famoso Tintin de nacionalidade belga.




Este andavam perdidos no tempo e no espaço e com  banda sonora a condizer...


Um dos percursos mais criativos, coloridos e lúdicos da cidade. La Rote des Carrés leva-nos a descobrir as fachadas da cidade pintadas com personagens dos livros aos quadradinhos. O mapa com o roteiro pode ser comprados no posto de turismo na Grand Place. São 31 desenhos espalhados por Bruxelas e uma boa oportunidade para se conhecer zonas da cidade que, de outra forma, provavelmente, nem pensaríamos lá passar.


Atomium não ficou esquecido. Fomos lá e subimos à esfera mais alta. Contamos como foi no artigo "O Atomium - o futuro em1958".


À laia de despedida a Central Station em estilo arte Nova, do arquiteto Victor Horta. É estação de comboios e de metro e é mesmo muito central. Aqui passam os comboios de e para o aeroporto e para outras cidades, como Gent e Bruges.



Alguns aspetos práticos:


Escolher um alojamento cuja distância até ao centro da cidade seja facilmente feita a pé e de preferência perto do Metro. A nossa escolha: apartamento reservado através de um site de alojamento local situado a 10 minutos a pé da Grand Place e ao lado de uma estação de Metro. No Bairro de Sainte Cathérine. Localização perfeita para conhecer a cidade.


Transportes: Cartão de viagens de metro recarregável com 1, 5 ou 10 viagens. Várias pessoas podem usar o mesmo cartão pois o que conta são as viagens.


Quanto a restaurantes fomos à aventura, e do que experimentámos sugerimos, pela qualidade, pelo preço e pela simpatia:



Mer du Nord

Rua de Sainte Catherine 45 / Sint-Katelijnestraat 45

Pedido feito ao balcão e come-se em pré nas mesas instaladas na praça. Marisco na chapa, croquetes de camarão (a pedir, sempre!), mexilhão... tudo muito bem acompanhado com uma cerveja belga.

El Meteko
Boulervard Anspach 88 / Blv. Anspachlaan 88 

Perto da Praça de La Bourse / Beursplein um restaurante bar com boa comida e boa cerveja. O ambiente é descontraído e agradável. ao fim de semana tem música ao vivo.



Não perder:

cerveja belga. Muito por onde escolher... (sem restrições!!) O que caracteriza a cerveja belga é a sua grande diversidade de sabor, cor e o modo como é feita. Aqui pode-se conhecer mais um pouco da sua história que é bem interessante.



Chocolate (o melhor do mundo) e outros doces...  o chocolate belga ainda é feito à mão em pequenas fábricas e de acordo com as antigas técnicas de fabrico.



Batata frita. Reza a história que foi aqui na Bélgica que a inventaram. Conta-se que os pescadores do rio Meuse, principalmente no inverno, quando havia falta de peixe, cortavam batatas em forma de peixinhos e fritavam-nas...e assim nasceu a batata frita!




Os Waffles (em flamengo) ou Gaufres (em francês) são o doce preferido para uma pausa a meio da manhã ou da tarde. Há imensas lojas da especialidade espalhadas por toda a cidade e é só escolher a cobertura...


E com doces nos despedimos de Bruxelas que se revelou um cidade bem interessante apesar do tempo nos pregar algumas partidas.

3 comentários:

  1. Fiquei com uma outra impressão de Bruxelas, não imaginava que era uma cidade assim. As fotografias estão muito bonitas.. Parabéns. C.R.

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  2. Estive em Bruxelas há pouco tempo. Vim reviver alguns momentos e rever alguns lugares da capital belga :) Escrevi sobre ela em bit.ly/meleva_grandplace Um beijo!

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    1. Já dei uma voltinha pelo seu blog. Gostei e vou seguir :-)

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