quinta-feira, 9 de julho de 2015

Sainte-Mère-Église o bastião da liberdade

Quando se chega ao largo da igreja de Saint Mère l’Église, deserto naquela altura, nada faz pensar que esta e agora pacata cidade foi cenário de sangrentos combates durante a Segunda Guerra Mundial. Reduzida a ruínas valeu-lhe a coragem dos seus habitantes que, junto com os aliados combateram o exército alemão.

Esta pequena cidade, na Baixa Normandia, é considerada ter sido a primeira localidade a ser libertada pelos aliados, depois de dias de intensos confrontos que se seguiram à batalha nas praias da Normandia.

Antecedendo a madrugada do dia 6 de junho de 1944, dia previsto para o desembarque das tropas aliadas na costa da Normandia, milhares de paraquedistas das tropas aerotransportadas aliadas saltaram atrás das linhas inimigas. A sua missão era proteger os locais considerados estratégicos até à chegada das tropas vindas das praias. Alvos fáceis, milhares de homens foram abatidos antes de chegarem ao solo.

John Steele, foi um dos paraquedistas americanos que escapou para contar a sua história. E que história! Nessa noite, a cidade encontrava-se sob um forte e intenso ataque alemão e os sinos da torre da igreja tocavam a repique para alertar a população. Depois de lançado, o paraquedas de John Steel foi levado para junto da torre sineira onde acabou por ficar preso e pendurado num dos pináculos. Os alemães julgaram-no morto o que lhe terá salvo a vida. Foi depois feito prisioneiro mas conseguiu escapar e participou ainda num último ataque para conquistar a cidade. 

Em sua homenagem vê-se, na torre da igreja, um manequim vestido com o uniforme americano e pendurado num paraquedas. John Steele, durante toda sua vida, nunca deixou de regressar a Saint Mère l’Église e foi considerado cidadão honorário da cidade.



John Steele - imagem retirada da wikimedia.org

Vitral no interior da igreja de Saint Mère l’Église dedicado à memória dos homens que, na noite de 6 de junho de 1944, foram lançados de paraquedas para libertar a cidade.



Muitos dos habitantes de Saint Mère l’Église eram crianças na altura mas recordam-se bem desse tempo. Nós não vamos deixar nunca de lembrar e de mostrar ao mundo que nos lembramos, disse-nos um habitante da cidade referindo-se ao Museu Airborne, dedicado à memória de todos os combatentes e sobretudo aos paraquedistas, os grandes herois dessa madrugada de junho.

No museu podem ver-se imensas peças históricas da época, fotografias, recriações de cenários de combate, armamento e conhecer histórias de quem viveu, na primeira pessoa, a guerra. Muito interessante e elucidativa toda a coleção é um fiel testemunho dos acontecimentos do DIA D.





O museu tem uma sala de cinema onde passam documentários e filmes sobre o que se passou. Nessa tarde (sorte) passou “O dia mais longo”. o melhor filme, até hoje, apresentado sobre o dia do desembarque e o que mais fielmente recria toda a ação. 

Realizado em 1962, por Ken Annakin foi vencedor de dois óscares e é protagonizado por Robert Mitchum, Richard Burton, John Wayne, Rod Steiger, Robert Ryan e muitos outros. Perfeito para se compreender a complexidade da Operação Overlord, nome de código para os acontecimentos que marcaram o princípio do fim da guerra e da queda do regime nazi.









Percorrer os 80 Km da costa da Normandia que foram o palco do desembarque aliado é reviver o dia 6 de junho de 1944 e os dias que seguiram, vezes sem conta. Por todo o lado memoriais, museus, lápides, ruínas. 



A praia de Utah foi a primeira, o quilómetro zero da invasão e o local mais a ocidente onde desembarcaram os soldados da 4ª Divisão de Infantaria dos EUA.



Olhar a praia, deserta, o silêncio apenas quebrado pelo barulho das ondas a rebentar na praia e imaginar, apenas imaginar…!



As baterias costeiras alemãs são agora sentinelas silenciosas num campo verdejante. A paz a não deixar esquecer os tempos de guerra. 

“Nunca tantos deveram tanto a tão poucos”
 by Winston Churchill



E foi tempo de regressar às nossas praias. 
Ficaram os lugares e as pessoas. Trouxemos as recordações.

4 comentários:

  1. Mais um post fantástico Ana. Dá vontade de ir lá. Catarina R.

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  2. Dei com este blog por um acaso e depois de ler algumas publicações estou a achá-lo muito interessante. Devia no entanto em alguns casos ter mais sugestões de onde ficar e de restaurantes e outras sugestões prácticas. S.M.

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