segunda-feira, 13 de julho de 2015

Hitchin, a cidade dos tempos medievais

Depois de vários convites aceitámos a hospitalidade dos nossos amigos. Na altura eles viviam numa pequena localidade a cerca de 60 Km de Londres, no típico english countryside.

Levávamos um pequeno roteiro de viagem que, rapidamente, cresceu com as preciosas dicas que, só alguém que lá vive poderá dar. E o facto de estarmos a 30 minutos, de comboio, de Londres não nos causou qualquer constrangimento, antes pelo contrário, permitiu-nos conhecer locais que, se estivéssemos sedeados em Londres não teríamos conhecido.

Não teríamos, por exemplo, conhecido Hitchin, uma localidade mais antiga que a velhinha Idade Média. Já em 673, se falava desta pequena cidade como tendo sido o local escolhido pelo bispo, para o primeiro encontro das igrejas cristãs anglo-saxónicas. E daí não mais parou.

O seu epíteto “cidade mercado” marcou-a desde sempre acompanhando o seu florescimento, ao longo do séculos, como posto comercial e, com a chegada dos caminhos de ferro como um importante posto de transação de cereais, principalmente milho, chegando mesmo a ter uma “Corn Exchange” para regular o comércio.


Interessante, também, é a ligação de Hitchin ao comércio da lavanda. Introduzida e utilizada pelos romanos como um antisséptico natural para as feridas de guerra, esta planta, foi um dos primeiros perfumes a serem usados em Inglaterra. Pensava-se, na altura, que as características desta planta protegiam as pessoas de serem infetadas por doenças contagiosas que, então, dizimavam a população, o que levou à expansão do seu cultivo.

A cidade tornou-se no século XVI num dos principais produtores de lavanda do país e aqui foi criada a mais antiga companhia farmacêutica do reino Unido que se dedicava á destilação da lavanda para fins medicinais. O produto obtido ganhou tanta notoriedade que a própria rainha Victória vinha a Hitchin adquirir esses óleos essenciais.


Hitchin poderá ser considerada uma cidade dormitório de Londres mas, desengane-se quem pense encontrar uma localidade deserta, sem comércio e sem vida própria. A sua praça principal “Market Place” é exemplo disso. O seu movimento começa desde logo cedo com turistas e habitantes a ocuparem as esplanadas e a percorrerem as lojas.



Inúmeras lojas de artigos em segunda mão enchem as ruas. Desde roupa de marca, assinada por estilistas famosos, a quadros, mobília, calçado, livros (paraíso para os leitores compulsivos que aqui encontram as últimas novidades a 1, 2 ou 3 £, apenas). 


Enfim, mais do que lojas de artigos usados, estas casas parecem mais centros de trocas. De tudo um pouco, basta procurar que se encontra!


Depois das lojas é tempo de passear pelas ruas e admirar os fabulosos edifícios, alguns remontam, mesmo, ao século XIV.








O interior dessas casas é aquilo que imaginamos. Genuinamente de época, disso não há dúvida!



Um único reparo. As lojas fecham às 17H00, por isso, a melhor altura para se visitar Hitchin é de manhã. Depois, é apanhar o comboio para Londres e aproveitar a tarde na capital.

3 comentários:

  1. Depois de ver estas fotos de Hitchin, mas principalmente depois de ler este belo relato, guardei este lugar para um dia também o visitar. São estas viagens, estes lugares, que transformam a nossa maneira de sentir. Mas só para quem sabe olhar e ver, como tu. Continua, que eu quero continuar a viajar por esses lugares onde só pela imaginação.

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  2. Fotografias maravilhosas e que forma tão simpática de conhecermos e entrarmos em locais que não conhecemos (ainda...)

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  3. NÃO CONHECIA... É MARAVILHOSA E NA PRÓXIMA VIAGEM A LONDRES, VISITÁ-LA-HEI!!! É MUITO INTERESSANTE!!!

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