domingo, 24 de maio de 2015

País Basco







Na fronteira de Espanha com França, entre a cadeia montanhosa dos Pirinéus e o golfo da Biscaia, a região autónoma do País Basco não passa despercebida. Continuamos em Espanha, mas aos poucos vamos-nos apercebendo de algo diferente. A paisagem toda ela é de um verde compacto, apenas quebrado pelo branco de algumas casas espalhadas nas encostas das montanhas. Por onde passamos sente-se e respira-se uma identidade muito própria que os bascos fazem questão de mostrar. A ocuparem este território há mais de 4 mil anos o povo basco tem conseguido manter a maior parte da sua herança cultural marcada sobretudo por um forte orgulho pátrio e pelo seu próprio idioma.

"Um basco não é espanhol nem francês, é um basco." - by Victor Hugo, escritor francês (1802-1885).

A língua basca, "Euskara", completamente indecifrável para ouvidos estranhos, cuja origem ainda não se conseguiu traçar, não tem semelhança com qualquer outra língua conhecida. Mas é este estranho idioma que define o Euskadi (País Basco), a terra onde se fala o Euskara e onde os bascos se chamam a si próprios Euskaldum, ou seja, aqueles que falam Euskara

"A língua basca é o desespero dos eruditos e a mais misteriosa de todas as línguas conhecidas", by Aldous Huxley, escritor inglês (1894-1963)

 Não fosse a tradução em castelhano...

(Reduza a velocidade com chuva) - será??

Das três capitais do País Basco - Bilbau, San Sebastian, Vitória-Gasteiz - visitámos apenas as duas primeiras.



De Bilbau ficaram, a visita ao Museu mais emblemático, atrevo-me a dizer, de Espanha e uns fabulosos bocadillos na Taberna de Los Mundos. O mau tempo e a chuva forte não permitiram, infelizmente, o passeio tal como planeado, pelo centro histórico.
O Museu Guggenheim, projetado por Frank Gehry, inserido num amplo projeto de revitalização da cidade, voltou a colocar Bilbau no mapa. Logo no primeiro ano, o número de visitantes superou as expetativas e anualmente é um dos museus mais visitados de Espanha. 

O próprio edifício, em si, é uma autêntica obra de arte e quando o olhamos pela primeira vez compreendemos porquê.

Não conseguimos deixar de admirar esta magnífica obra e de nos surpreender com as subtis mudanças de tonalidade que a sua superfície ondulante e totalmente coberta por placas de titânio adquire, consoante a incidência da luz do dia.




Em frente do museu, escultura de um cão totalmente coberta de plantas e de flores - Jeff Koons,1992.

Escultura em aço inoxidável que faz parte da exposição permanente do museu. Esta escultura é de facto soberba quando vista de perto (a fotografia não lhe faz devida justiça).

"The Matter of Time" obra de Richard Serra faz, também, parte da coleção permanente do museu e é composta por sete esculturas em aço que formam elipses e labirintos gigantes. A intenção do artista era desorientar as pessoas e consegue-o, pois quando se entra naquelas estruturas enormes é constante a sensação de vertigem e desorientação no espaço.

De San Sebastian ficou a imagem da uma cidade muito cosmopolita, de ar burguês mas com um sentimento muito "basco" e muito patente nas suas ruas, expressado pelas frases de teor nacionalistas dos grafittis e pelos papeis colados nas paredes e muros e nas suas pessoas, onde o uso da boina preta é o sinal exterior de pertença a uma terra.


"La Concha" é o nome da baía que abriga a fabulosa praia de San Sebastian, um dos bilhetes postais da cidade. O passeio pedonal de cerca de 7 Km ao longo de toda a sua extensão faz com que qualquer esforço a percorrê-lo seja nada comparado com o que se desfruta. A caminhada começa pelo palácio Miramar onde a rainha Isabel II, de Espanha, passava os verões e quando San Sebastian vivia em pleno o glamour da Belle Époque. Um pouco mais à frente passa-se pelo Hotel Londres que foi reduto de espiões durante a 1ª e 2ª guerras mundiais e onde, diz-se, ali passou a famosa Mata Hari. Do mundo da espionagem passamos para o mundo do grande capital, zona dos que são considerados, os apartamentos mais caros de Espanha.



Ao largo a pequena ilha de Santa Clara, antigo lazareto, para onde eram desterrados os doentes em tempo de peste.

O passeio termina no sopé do Monte Igueldo com as esculturas de Eduardo Chillida e o seu "El Peine del Viento" a desafiar o poder do mar. 
Peine del Viento
(foto retirada do portal http://www.sansebastianturismo.com)

Depois do passeio foi tempo para txikitear, correr os bares, tomar una caña e desgustar os pintxos (pequenas doses de petiscos). E em San Sebastian nenhum sítio é melhor para o txikiteo que a parte velha da cidade, ou Donostia em Euskara.


2 comentários:

  1. As tuas palavras a guiarem-nos nessa viagem... As palavras do A. Huxley sobre o Basco, lembraram-me a minha viagem à Escócia : se não fosse o Inglês, o Gaélico...

    A minha foto preferida é da Ilha de Santa Clara, ao largo, como se vista de uma janela ao entardecer. Cada dia gosto mais da forma como fotografas e olhas o mundo!

    Conheces a escultura do garrafão da Joana de Vasconcelos no Largo do Mercado em Torres Vedras ? Quando vi a escultura do cão do Jeff Koons, de 1992, lembrei-me logo, e pensei : não se faz quase nada de novo...

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    1. Obrigada Teresa pelo gosto que demonstras em ler os meus textos e pelos elogios à fotografa, que de vez em quando anda um pouco à toa. Ainda bem que viajas com o Sete Praias. Também leio muitos outros relatos de viagens e adoro......

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