quinta-feira, 30 de abril de 2015

Para além das termas de S.Pedro do Sul.

Uma escapadinha de três dias para os lados de S.Pedro do Sul levou-nos a descobrir estradas de montanha que acabam em aldeias perdidas nas serras e a conhecer locais com estórias das gentes da nossa terra.

Onde ficámos?

Entre S.Pedro do Sul e Vouzela, na Casa de Fataunços, um solar  do século XVIII transformado em turismo de habitação, cujo interior cuidado mantém o espírito dos séculos passados e onde pudemos desfrutar da calma (bem merecida) do seu lindíssimo jardim.

Por onde andámos?

S.Pedro do Sul, dizem os livros, tem mais de 2000 anos de história termal e as suas águas são consideradas umas das melhores do mundo. O Inatel Palace S.Pedro do Sul, edifício evocativo da história da vila vale, sem dúvida, uma visita.

Em Vouzela - um café e um Pastel de Vouzela sff.!
O Pastel de Vouzela é um doce "inventado" no séc. XIX, cujo folhado finíssimo e recheio de doce de ovos é simplesmente...delicioso!!!

A subir a Serra de S.Macário deparamo-nos com estas cores. O roxo da urze e o amarelo da carqueija e do tojo, transformam a paisagem árida num vasto campo colorido a perder de vista.






 A Aldeia da Pena, aldeia típica de xisto, situada num vale da Serra de S.Macário e acessível por uma estreita estrada de montanha, recentemente alcatroada, alberga apenas 7 habitantes cujo número cresce para a dúzia durante os meses de verão. Conhecemos a Dona Augusta e o Sr. António donos da única loja de artesanato da terra, onde vendem aquilo que fazem, ela, bordados e paninhos em crochet, ele, pequenas casinhas feitas com restos de bocados de xisto. O mel e as velas artesanais são também produção própria e com muito orgulho afirmam ser os únicos apicultores da zona. À entrada da aldeia, a Adega Típica da Pena, também em xisto, é aquilo que se espera encontrar num sítio como este e não desilude. Os carros não entram na aldeia, além de proibido, seria aliás quase impossível.

Conta-se que há muito tempo atrás antes de haver estradas tudo tinha de ser carregado à mão e até os mortos tinham de ser carregados em padiolas. Foi numa dessas vezes, quando o acaso fez que um dos caixões resvalasse e atingisse fatalmente um dos carregadores que nasceu a lenda do morto que matou o vivo.


Casa de Xisto especialmente decorada para os visistantes

Adega Típica da Pena


Covas do Monte uma outra aldeia no sopé da serra, com casas de xisto e telhados de lousa, cuja vida parece que parou no tempo. O gado ainda sai todos os dias para as pastagens passando pelas ruas estreitas da aldeia e as pessoas ainda se sentam à soleira das portas a fazer tempo para a próxima tarefa. A simpatia é comum a todos e ninguém foge a uma boa conversa.





Continuámos a subir a serra até perto de Covelo de Paivó para ver o que resta do local que foi um dos grandes fornecedores de volfrâmio durante a 2ª guerra mundial. As Minas de Regoufe, inicialmente exploradas por franceses e ingleses, foram em 1941 entregues à Companhia Portuguesa de Minas mas o capital continuava a ser inglês. As minas trouxeram desenvolvimento à zona com a construção de estradas, a instalação da luz elétrica e telefone mas tudo isso com um alto preço a pagar. Anos depois do fecho das minas a terra ainda continuava estéril para cultivo e a água ainda contaminada. Atualmente as ruínas das minas poderiam bem servir de cenário para um qualquer filme sobre abandono e desolação.





O nosso dia não terminou por aqui mas o próximo local merece um cantinho só dele!




4 comentários:

  1. O nosso Portugal é lindo e tem tanta coisa bonita para conhecer. Catarina R.

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  2. Sem dúvida Catarina sempre uma descoberta....

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  3. Um passeio interessante.

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  4. Sou de S.Pedro do Sul e gostei muito da forma como o mostrou. Rita

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